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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

De Miguel Torga

Quase um Poema de Amor
Há muito tempo já que não escrevo um poema
De amor.
E é o que eu sei fazer com mais delicadeza!
A nossa natureza
Lusitana
Tem essa humana
Graça
Feiticeira
De tornar de cristal
A mais sentimental
E baça
Bebedeira.
Mas ou seja que vou envelhecendo
E ninguém me deseje apaixonado,
Ou que a antiga paixão
Me mantenha calado
O coração
Num íntimo pudor,
-Há muito tempo já que não escrevo um poema de amor.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Morreu na passada 5ª. feira Ana Hatherly - paz à sua alma -

poema da mesma


Saber

saber
é saber saber-te
sabermo-nos unir

unirmo-nos
é conhecermo-nos
sabermos ser

por fim sermos
é sabermos
sabermo-nos

conhecermos
a surda áspide

Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"  

sexta-feira, 13 de março de 2015

De Enide Santos(minha amiga do Facebook)

De onde nasce o poema?
Nasce do sonho de vida
da dor de uma partida
da rejeição de um amor...
ou do nascer de uma flor

Um poema nasce da emoção
que quer ser dividida
muitas vezes sentida
dentro do coração
Nasce de um desejo de encantar
de uma forma de falar
do pensamento em erupção
de buscar uma razão
Um poema nasce na alma
mas lá não quer ficar
anseia para ter vida
em forma de escrita
Enide Santos 15/08/13

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Admiro muito a poesia de ÂNGELO GOMES

QUERO APRENDER…
Quero aprender a não confundir a seiva
Com a ternura que dos teus lábios brota
Da árvore sai um sabor a cola que não volta
Da tua boca uma saudade eterna que não eiva
Quero aprender a ver claro na escuridão
Sentindo-te no caminho em recta inversa
O meu corpo fica inerte e a alma submersa
Num mar sereno de azul e vastidão
Quero aprender a não fugir do teu caminho
Ter na mesa coentros do teu quintal e um bom vinho
Para contigo comemorar a morte das tormentas
Que para trás fiquem os tempos de apatia
E o futuro guarde para si a magnitude da fatia
Quero aprender tudo o que em mim cimentas
ÂNGELO GOMES – 20/2/2015 - 19h55

Gosto ·

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Vive em mim alguém que já morreu - Rosa Maria(gentilmente cedido)

foto de Rosa Maria quando era mais nova

Vive no meu corpo alguém que já morreu...apenas o retrato
Da menina que fui ainda existe...da mulher somente restou
Uma sombra quase morta que dentro de mim ainda guardo...
No retrato amarelecido no tempo onde me vejo e não estou

Vivem no meu corpo recordações perfumadas de silêncio
No meu rosto pedaços de luz querendo romper a escuridão
Na moldura enegrecida onde tristemente ainda permaneço
Nesse olhar onde já não existe nenhuma réstia de ilusão
Vive no meu corpo um desejo quase cinza...quase morte
Num grito rouco e profundo ...lá bem no fundo de mim
Esse fogo de amor perdido...bailando no ventre da noite
Embalando nos braços a quimera do beijo que não senti
Vive para sempre no meu corpo...esse sonho que sonhei
Quando o sol se apagou e a noite deixou de amanhecer
E perdida no meu olhar ficou...aquela lágrima que te dei
Um perfume vago de saudade...pranto do meu entardecer
Vive preso nas minhas mãos o crepúsculo...como um adeus
Travo amargo com que teci as ilusões da menina da moldura
Que ficou presa no espelho...como uma sombra que morreu
Neste corpo que já não sinto...na minha alma que é lonjura
Vive no fio da navalha a mulher que em vida se amortalhou
Tão despida de ilusão neste abismo negro esculpido pela dor
No meu rosto entardecido pelas marcas que o tempo deixou
Nesta treva que me cobre...sepultei todos os sonhos de amor
 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Não! Não me peçam poemas de amor... - da genial poetisa: ROSA MARIA


Não! Não me peçam poemas de amor...meus dedos estão frios
A minha alma não me pertence e o meu corpo partiu sem mim
O meu coração parou e os meus sentidos estão inertes e vazios...
As palavras já não as encontro e o tempo parece não ter fim

Não! Não me peçam poemas de amor...já não me sei inventar
Eu não sou eu e os meus versos são poeira que o vento levou
Em mim tudo é deserto...apenas há nostalgia no meu versejar
O amor está mais distante que nunca e o meu sangue já secou
Não! Não me peçam poemas de amor...as horas estão morrendo
A noite é escura e os meus sonhos vão-se lentamente esfumando
O tempo vai passando e o meu corpo vai tristemente anoitecendo
A ilusão vai-se desfazendo em espuma e a luz vai-se apagando
Não! Não me peçam poemas de amor...já não há azul no meu olhar
No meu corpo não há vida e a chama do amor já não me queima
O papel onde me escrevi enegreceu e as mãos já não sabem amar
As palavras são pedra dura onde já não floresce nenhum poema
Não! Não me peçam poemas de amor...sou árvore de folhas despida
As rosas rubras que me adornaram o corpo um dia...já não têm cor
As marcas do tempo deixaram o meu coração a sangrar em ferida
E com o coração sangrando como posso escrever poemas de amor
Não! Não me peçam poemas de amor...é Inverno no meu peito
Nas minhas veias já não há poesia...o sangue que corre é mágoa
As lembranças são os espinhos que cobrem o chão onde me deito
Sobre os sonhos que rasguei onde em silêncio rola uma lágrima
Não! Não me peçam poemas de amor...meu corpo já não é flor
É crepúsculo no meu olhar e no meu rosto já não há Primavera
E sem Primavera como é que eu posso escrever poemas de amor
Não! Não peçam poemas de amor a quem da vida já nada espera
Escrito por : Rosa Maria

(extraído,com autorização,da sua
página do Facebook)